quinta-feira, 29 de outubro de 2009

(f)

Semprei olhei uma flor e pensei “Pobrezinha, logo morre”.Digo: não por minha causa.

vão e voltam, vão e voltam, vão e voltam… Imprevisíveis.
Pobres criaturas de raíz frágil, caem por aí por qualquer motivo.
Foi ai, pensando assim, que comparei a mim. A cada dia que passa morro um pouco.
Há dias, porém, que morro por inteiro e renasço de repente, quando menos esperam, provando que apesar de inconstante minha raíz gosta do constante drama de umrevival .
Flores me lembram enterro. Penso logo no mal cheiro que permanece no caixão: cheiro de flor morta. Flores são cheirosas, mas quando morrem fedem como qualquer animal (racional ou não, pouco importa). Quando morrer serão flores para a Flor. Falo: quando morrer de vez, sem charme e sem drama para não mais voltar. Sim, serão flores para a Flor. (Pensei bem e não quero mais ser cremada)
No dia do meu enterro farei sangrar aqueles que amo: se me tocam, sou espinho. Mesmo que me tranquem à sete palmos.
Não poderão deixar de pensar que, dali a uns três dias, serei flor morta, fedida e perdida para a eternidade. Flor de ninguém.

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